CIRCUITO
CARIOCA TI · DOCUMENTAÇÃO
♙
Zabbix · NOC / ISP

Operadoras, dependências e correlação

Agrupe sintomas por domínio de falha, operadora, região e serviço para reduzir cascatas sem esconder evidências.

zabbix://operadoras-correlacao
$ branch: 7.4
$ topic: Operadoras, dependências e correlação
$ mode: production
$ method: evidence-first_
Dependência Modela causa raiz conhecida.
Tags Carregam contexto operacional.
Correlação Relaciona eventos e resoluções.
Services Representam saúde de serviços.
SLA Mede disponibilidade real contra SLO.
01 · O problema real

29 alarmes não significam necessariamente 29 falhas

Imagine três operadoras atendendo 100 circuitos: 40, 30 e 30. Se 29 dos 40 circuitos da Operadora A ficarem indisponíveis quase ao mesmo tempo, olhar apenas para a lista de problemas produz 29 sintomas. Para a operação, porém, existe forte evidência de uma causa comum.

OPERADORA A              OPERADORA B              OPERADORA C
40 circuitos              30 circuitos              30 circuitos

11 UP                     30 UP                     30 UP
29 DOWN                    0 DOWN                    0 DOWN

72,5% indisponíveis        0% indisponíveis          0% indisponíveis
        │
        ▼
FORTE INDÍCIO DE FALHA COMUM
Princípio operacional Correlação útil não elimina eventos. Ela muda o nível de interpretação: de “quais links caíram?” para “qual domínio comum explica a maior parte das falhas?”.
02 · Quatro mecanismos diferentes

Dependência, correlação, Services e agregação não são a mesma coisa

Mecanismo Resolve Quando usar
Trigger dependency Causa raiz conhecida/topológica Um link/equipamento depende diretamente de outro.
Event correlation Relacionamento entre eventos Problema e resolução vêm de eventos distintos ou precisam de fechamento controlado.
Services Saúde de serviço/hierarquia Queremos mostrar impacto sobre operadora, região ou serviço.
Itens calculados/agregados Indicador quantitativo Precisamos calcular DOWN/total, percentual, contagem ou tendência.
03 · Tags como chave de correlação

A correlação começa muito antes do incidente

Eventos de trigger podem carregar tags. Essas tags podem ser usadas em ações, filtros de problemas e correlação. Sem uma taxonomia consistente, o Zabbix sabe que existem vários problemas, mas não necessariamente qual contexto operacional os conecta.

carrier=operadora-a
circuit=CIR-A-001
site=rj-centro
region=rj
service=internet
scope=availability
component=wan
criticality=high

O valor de carrier deve ser canônico. Evite misturar “Claro”, “CLARO”, “Embratel”, “Claro Empresas” e siglas internas sem uma regra, porque cada variação vira uma dimensão diferente para filtros e serviços.

04 · Modelo de dados

Circuito é ativo; operadora é dimensão; serviço é impacto

HOST
└── circuit-rj-centro-a01
    ├── carrier=operadora-a
    ├── circuit=CIR-A-001
    ├── site=rj-centro
    ├── service=internet
    └── role=wan-link

TRIGGER
└── WAN unavailable
    ├── scope=availability
    ├── component=wan
    └── severity=High

SERVICE
└── Operadora A
    └── filhos: circuitos / sites / serviços associados
05 · Trigger dependencies

Use dependência quando a relação causal é conhecida

O Zabbix não cria dependências diretamente entre hosts; a dependência é definida entre triggers. Enquanto a trigger raiz estiver em PROBLEM, triggers dependentes não são reavaliadas normalmente e suas ações/notificações podem ser suprimidas.

Router Core DOWN
      │
      ▼
Switch distribuição DOWN
      │
      ▼
OLT DOWN
      │
      ▼
Circuitos/serviços inacessíveis
Não modele correlação estatística como dependência “Muitos links da mesma operadora caíram” não significa que um circuito seja tecnicamente pai dos outros. Dependência deve refletir topologia ou causalidade conhecida, não apenas coincidência temporal.
06 · Recursividade

Dependências podem formar uma cadeia de causa raiz

A checagem de dependências é recursiva. Isso permite modelar camadas como Router1 → Router2 → Host. Cuidado com o desenho: dependências circulares não são permitidas, e uma dependência errada pode suprimir eventos que deveriam aparecer ao operador.

07 · Event correlation

Correlação de evento trata relacionamento e resolução

Event correlation pode existir no nível da trigger ou globalmente. Regras globais conseguem relacionar eventos usando tags, valores de tags e host groups. É especialmente útil quando um evento novo precisa fechar, relacionar ou substituir problemas anteriores segundo uma regra explícita.

Exemplo conceitual
Evento antigo:
carrier=operadora-a
circuit=CIR-A-001
state=down

Novo evento:
carrier=operadora-a
circuit=CIR-A-001
state=up

Regra:
mesmo carrier + mesmo circuit → resolver evento anterior correspondente
08 · Services

Suba do componente para o serviço

Services permitem construir uma árvore lógica de serviços. Um Service possui service tags, usadas para ações de serviço e SLA, e problem tags, usadas para associar problemas ao serviço. Esses dois tipos de tag têm funções diferentes e não devem ser confundidos.

INTERNET WAN
├── Operadora A
│   ├── CIR-A-001
│   ├── CIR-A-002
│   ├── ...
│   └── CIR-A-040
│
├── Operadora B
│   ├── CIR-B-001
│   └── ...
│
└── Operadora C
    ├── CIR-C-001
    └── ...
09 · Service tags x Problem tags

Uma das distinções mais importantes dessa arquitetura

Tipo Função Exemplo
Problem tagMapear problemas ao Servicecarrier=operadora-a
Service tagIdentificar o Service para SLA/actionsprovider=operadora-a
10 · Status calculation

Transforme N problemas em uma saúde agregada

Services permitem regras adicionais de status baseadas na situação dos filhos. Isso abre espaço para representar “falha parcial”, “degradação severa” e “falha massiva” usando quantidade ou percentual de serviços filhos afetados.

Operadora A — 40 circuitos

0–1 DOWN        → OK / impacto isolado
2–7 DOWN        → Warning
8–19 DOWN       → High
20+ DOWN        → Disaster / provável falha massiva

OU

>= 10% DOWN     → Warning
>= 25% DOWN     → High
>= 50% DOWN     → Disaster

Os limites acima são exemplos de engenharia operacional, não defaults do Zabbix. Eles precisam refletir quantidade de links, redundância, geografia e comportamento histórico de cada ambiente.

11 · Quantidade x percentual

Percentual sozinho pode enganar

Operadora Links 1 link DOWN Interpretação
A402,5%Provavelmente isolado
B1010%Ainda pode ser isolado
C250%Percentual alto, mas apenas 1 circuito

Uma regra robusta pode combinar mínimo absoluto e percentual: “pelo menos 3 circuitos e pelo menos 25% do total”.

12 · Janela temporal

Falha comum também é um problema de tempo

Se 20 circuitos caíram ao longo de cinco dias, provavelmente não temos o mesmo fenômeno de 20 circuitos que mudaram de estado em dois minutos. Por isso, limiares de massa devem considerar persistência e simultaneidade.

Exemplo de política:

>= 25% dos links DOWN
E
>= 3 links afetados
E
condição persiste por 2 minutos

→ abrir "Possível falha massiva - Operadora A"
13 · Geografia

Operadora inteira, região ou POP?

Uma falha concentrada em uma cidade não deveria necessariamente tornar toda a operadora “vermelha” nacionalmente. Modele a hierarquia de forma que o contexto geográfico possa emergir.

Operadora A
├── RJ
│   ├── Maricá
│   ├── Niterói
│   └── Rio de Janeiro
├── SP
└── MG
14 · Redundância

Link DOWN não é sempre serviço DOWN

Se um site possui dois links independentes, a queda de um circuito pode representar degradação de redundância, enquanto a queda dos dois representa indisponibilidade do serviço. Essa distinção deve aparecer na árvore de Services.

Internet — Site Centro
├── Link Operadora A
└── Link Operadora B

1 link DOWN  → redundância degradada
2 links DOWN → serviço indisponível
15 · Indicadores derivados

Crie métricas que expliquem a saúde da operadora

Indicador Fórmula conceitual Uso
Links UPtotal - downLeitura rápida
Links DOWNcontagem de indisponíveisImpacto absoluto
% DOWNdown / total × 100Comparar operadoras de tamanhos diferentes
% UPup / total × 100Saúde instantânea
Sites impactadossites com >=1 link críticoDimensão geográfica
Tempo de falhaduração do evento agregadoOperação/SLA
16 · Dashboard NOC

A primeira tela deve responder “onde está concentrado o impacto?”

┌──────────────────────┐  ┌──────────────────────┐
│ OPERADORA A          │  │ OPERADORA B          │
│ 11/40 UP             │  │ 30/30 UP             │
│ 29 DOWN              │  │ 0 DOWN               │
│ 27,5% disponível     │  │ 100% disponível      │
│ DISASTER             │  │ OK                   │
└──────────────────────┘  └──────────────────────┘

┌──────────────────────┐
│ OPERADORA C          │
│ 29/30 UP             │
│ 1 DOWN               │
│ 96,7% disponível     │
│ WARNING / ISOLADO    │
└──────────────────────┘
17 · Problema agregado

O problema raiz precisa ser legível fora do dashboard

DISASTER
Possível falha massiva — Operadora A — RJ

29/40 circuitos indisponíveis
72,5% do universo afetado
7 sites impactados
início: 14:32
persistência: 4 min

tags:
carrier=operadora-a
region=rj
scope=availability
event_class=mass-outage
18 · Supressão com cuidado

Reduzir notificação não significa apagar visibilidade

Em uma falha massiva, o NOC pode receber uma notificação raiz e manter os problemas individuais disponíveis no Zabbix para investigação. A estratégia ideal é reduzir o ruído no canal de alerta, não destruir o detalhe técnico.

19 · SLA, SLO e SLI

Saúde instantânea e disponibilidade histórica são problemas diferentes

Depois de criar Services, SLAs podem ser associados por service tags. O SLA define SLO, calendário esperado e downtimes excluídos. O relatório entrega SLI, isto é, a disponibilidade observada, que pode ser comparada ao objetivo.

SLO contratado: 99,90%
SLI observado: 99,72%

Resultado:
SLI < SLO → objetivo não atingido
20 · Falsos positivos

Nem toda simultaneidade é falha da operadora

Falha do monitoramento Se o Zabbix/Proxy perde acesso a uma região, vários circuitos podem parecer DOWN ao mesmo tempo.
Falha elétrica local Vários equipamentos/site podem cair apesar de os circuitos da operadora estarem saudáveis.
Core interno Um roteador ou transporte interno pode tornar vários destinos inacessíveis.
Manutenção planejada Mudança simultânea precisa ser distinguida de incidente.
DNS/serviço comum Se o teste mede uma dependência comum, a falha pode estar no alvo do teste, não nos links.
ICMP filtrado Perder ping não prova indisponibilidade do circuito quando outros sinais permanecem normais.
21 · Confirmação multi-sinal

Uma falha robusta usa mais de um sinal quando possível

Sinais possíveis:
- ICMP
- interface operStatus
- BGP/BFD
- gateway remoto
- perda/latência
- HTTP externo
- SNMP do CPE/roteador
- estado físico da interface

Exemplo:
ICMP DOWN + BGP DOWN + interface física UP
→ indício forte de falha lógica/transporte externo
22 · Matriz de interpretação

Sintoma → hipótese

Padrão Hipótese prioritária Próximo teste
1 circuito DOWNFalha isoladaCPE, interface, rota e operadora
Muitos links, mesma operadora, múltiplos sitesFalha da operadora/backboneComparar rotas, BGP, regiões e sinais externos
Muitos links, várias operadoras, mesmo siteEnergia/core/siteChecar core, energia e uplinks locais
Muitos links, todas operadoras, várias regiõesFalha do monitoramento/core centralProxy/Server, routing e ponto de teste
Latência sobe antes de quedasSaturação/degradaçãoUtilização, loss, jitter e caminho
23 · Laboratório

Modelar três operadoras

1. Inventário Cadastre os circuitos e aplique carrier, circuit, site, region e service.
2. Triggers Padronize trigger de disponibilidade e tags do evento.
3. Services Crie uma árvore de Services por operadora e, se necessário, por região.
4. Problem tags Associe os problemas individuais aos serviços corretos.
5. Status rules Defina níveis por quantidade/percentual de filhos afetados.
6. Dashboard Mostre total, UP, DOWN, %, severidade e problemas por operadora.
7. Alertas Notifique problema raiz/massivo sem perder os eventos individuais.
8. Teste Simule 1, 3, 10 e 50% dos links DOWN e valide comportamento.
24 · Plano de teste

Teste a lógica antes do incidente real

Teste Esperado
1 link DOWNSomente circuito/serviço filho degradado
3 links mesma operadoraWarning se política atingir limiar
>25% mesma operadoraService sobe severidade conforme regra
>50% mesma operadoraProblema agregado crítico/massivo
Links de 3 operadoras no mesmo siteNão classificar automaticamente como falha de uma operadora
Parent trigger em PROBLEMDependentes topológicos não geram ações indevidas
Recuperação parcialService deve refletir estado restante, não fechar cedo demais
ManutençãoAlertas/supressão conforme política planejada
25 · Anti-patterns

O que não fazer

Criar dependência entre todos os circuitos Circuitos irmãos não são pais uns dos outros.
Usar apenas percentual 50% de 2 links é diferente de 50% de 200.
Correlacionar só por tempo Coincidência temporal não prova causa comum.
Ocultar problemas individuais O contexto agregado não deve apagar detalhe diagnóstico.
Operadora no hostname Dificulta mudança contratual e padronização.
Tags inconsistentes Quebra filtros, Services, Actions e correlação.
Um único Service nacional Perde a capacidade de distinguir falha regional.
Classificar ICMP como verdade absoluta Falha de um método de teste não é prova suficiente em todos os cenários.
26 · Arquitetura final

Uma arquitetura em camadas

CAMADA 1 — COLETA
ICMP / SNMP / BGP / HTTP / Agent
        │
        ▼
CAMADA 2 — TRIGGERS
circuito down / loss / latência / interface
        │
        ├── tags: carrier / region / site / service
        ▼
CAMADA 3 — TOPOLOGIA
trigger dependencies para causas conhecidas
        │
        ▼
CAMADA 4 — SERVIÇO
Services por operadora / região / site
        │
        ▼
CAMADA 5 — AGREGAÇÃO
N filhos / N% filhos / severidade
        │
        ▼
CAMADA 6 — NOC
Dashboard + ação + mensagem raiz
        │
        ▼
CAMADA 7 — HISTÓRICO
SLA / SLO / SLI / análise de recorrência
27 · Checklist de produção

Antes de ativar correlação massiva

✓ Todos os circuitos possuem carrier canônico
✓ Circuit ID é único e estável
✓ Site e região possuem taxonomia consistente
✓ Triggers individuais carregam tags corretas
✓ Dependências representam causalidade real
✓ Services possuem Problem tags corretas
✓ Service tags estão separadas de Problem tags
✓ Limiar considera percentual e quantidade absoluta
✓ Janela temporal evita flapping e coincidência momentânea
✓ Redundância do site foi representada
✓ Dashboard mostra agregado e detalhe
✓ Alertas massivos não eliminam evidência individual
✓ Cenários de falha do próprio monitoramento foram testados
✓ SLA usa calendário e downtime coerentes
✓ Recuperação parcial e total foram testadas
28 · Referências técnicas

Base factual

Conteúdo desenvolvido a partir da documentação oficial Zabbix 7.4 sobre trigger dependencies, event correlation, tagging, Services, Service tags, Problem tags e SLA. A taxonomia de operadoras, matriz de interpretação, limites de massa, arquitetura em camadas, laboratórios e recomendações operacionais são uma síntese editorial própria.

PRÓXIMA PÁGINA

Discovery e Low-Level Discovery

O próximo passo é automatizar descoberta e ciclo de vida de hosts, interfaces, sensores e outras entidades sem perder governança.

Continuar →
Atualização editorial 2026

Linha Zabbix 7.4

A correlação deve preservar os eventos individuais e acrescentar contexto agregado. Use tags canônicas, dependencies, Services e regras de correlação para separar causa comum de coincidência temporal.

Recursos e limites sensíveis à versão devem ser confirmados contra o patch exato instalado antes de mudanças em produção.